
Muitas pessoas têm em mente que idolatria é apenas quando alguém se prosta diante de uma estátua ou imagem. Idolatria na verdade é mais do que isto, até quando alguém tem crenças errôneas sobre D’us, acaba criando e servindo um deus estranho, D’us nos livre. Por isso é importante conhecermos D’us e sabermos como Ele é e governa todas as coisas.
Adonai Echad: D’us é um (Só ele é nosso D’us; Ele sempre existiu, existe e existirá), é indivisível e é incorpóreo (conceitos físicos não se aplicam a Ele. Não há nada que se assemelhe a Ele).
Entendermos e termos o conhecimento da unidade de D’us é essencial para tirarmos todo conceito de idolatria. Muitos aprendem durante sua vida ideias erradas, que foram adquiridas através de seus pais, cultura, etc, que estão impregnadas de idolatria. Por isso é importante limparmos nossa mente destes conceitos e firmamos nossa fé no D’us verdadeiro.
O primeiro princípio da nossa fé diz: “Creio com plena Emunah que D’us é o Criador de todas as criaturas e as dirige. Só Ele fez, faz e fará tudo.” (Maimônides). O Primeiro Princípio de Maimônides é a crença na existência de D’us. Este é o princípio fundamental do judaísmo, o pilar de todos os demais. O judaísmo se inicia e termina em D’us. Como escreve Maimônides: “A base fundamental e pilar da sabedoria é a compreensão de que há um Ser inicial que fez todo o restante existir”. Tudo o mais nos Céus e na terra apenas existe como resultado da realidade de Sua existência (Yad, Yesodey HaTorah 1:1).
Quando alguém acredita que uma força atua independente de D’us, por exemplo natureza, forças negativas, astrologia, magia, uma pessoa viva ou morta, na força do seu próprio braço ou em acontecimentos que ocorrem sem o controle absoluto do Eterno; está cometendo a proibição de fazer idolatria.
Outros acreditam na guerra espiritual. Atribuem acontecimentos a forças negativas como se D’us não pudesse controlá-las. Não existe guerra entre o bem e o mal, D’us criou tudo: tanto a força positiva quanto a negativa e Ele controla ambas, cada uma com seu propósito. Um dia o mal já não existirá, não será mais necessário quando seu propósito tiver sido cumprido.
D’us está no controle de tudo sempre, ele cuida desde a comida de um inseto até cada circunstância que acontece com cada ser humano individualmente, enfim quem vive e morre. Com a nossa mente limitada não conseguiremos jamais compreender como D’us age e faz as contas do universo e da vida de cada um. Mas uma certeza temos: Ele governa tudo com justiça e bondade sempre. Salmos 145:17 “Justos são todos os caminhos do Eterno e repletos de magnanimidade todos os Seus atos”.
Projeto Torah para Todos- Eleandro Bisatto
Dúvidas a respeito de idolatria:
Baseado no Livro Coleção Cartas Iluminadas- PERGUNTAS E RESPOSTAS DE QUESTÕES RELACIONADAS AOS BNEI-NOACH. Rabino Shimshon Bisker
Festas idólatras:
Pergunta: Vivendo em um país com uma cultura tão idolatra, em relação as festas como se portar?
Resposta: O melhor sempre é ignorar, as vezes quando nos livramos da idolatria ela tenta nos envolver de outras maneiras, como fazendo nos preocupar como vamos passar as festas ou debatendo com outras pessoas sobre o assunto. Então a melhor coisa é encarar como um dia normal sem importância. Pergunta: Rav, está permitido participar de festividades, como casamentos, em templos idólatras? Ou até mesmo entrar em um templo por motivo de visitação ou trabalho? Resposta: Sim, um Ben Noach pode entrar nestes locais para casamentos, festividades, visitas e trabalho sempre quando o evento não é para o culto idólatra.
Comer alimento que foi abençoado em nome de algum ídolo Pergunta: É comum abençoar comidas em nome dos ídolos. Festas de ídolos etc. Essas comidas se devem comer? Resposta: Enviei junto com a outra para o mesmo sábio. Ele respondeu com as seguintes palavras: “É repugnante!” (obs. Ele não disse ser proibido, somente que é repugnante, portanto deve-se evitar.)
Doar para instituição com nome idólatra Pergunta: Rav, é permitido ajudar instituições de caridade que levam nomes de ídolos? Resposta: Não tem nenhum problema, sempre que o dinheiro não seja para sustentar organizações idólatras. Somente aos necessitados. Relacionamento com idólatras Pergunta: Como deve ser o relacionamento com pessoas idólatras? Devo me afastar delas? Resposta: 1- Em primeiro lugar, devemos ter em mente que os caminhos da Torá devem ser agradáveis para os que os seguem e para os que convivem com ele; e
Projeto Torah para Todos- Eleandro Bisatto
também saber que os caminhos da Torá levam à paz. Portanto, sempre que possível, devemos procurar uma solução agradável e de paz; que entre em harmonia com a nossa vida e de nossos companheiros.
2- Vemos em nossos líderes, começando com o patriarca Avraham, a grande preocupação em influenciar as pessoas para seguir os caminhos de D’US. Agindo honestamente, de forma simpática e atenciosa, tratando respeitosamente e carinhosamente a esposa e filhos, e começando conversas sobre temas relacionados à vida segundo a vontade de D’US, veracidade da Torá, etc… com certeza despertará nas pessoas a curiosidade e até mesmo a vontade de se juntar a este ideal.
3- É claro que, quando alguém tenta intencionalmente nos influenciar para idolatria ou para o mal, ou até mesmo quando não intencionalmente, porém, a sua influência para o mal é significante, devemos nos afastar o quanto for necessário para evitar tal influência.
4- Mesmo quando sentimos a verdade de D’us claramente em nosso sangue, e nos causa o sentimento de repugnância ao estar na presença de pessoas que agem de forma errônea (ou de pessoas idólatras), a atitude de não nos relacionar em absoluto com elas e de nos isolar, pode vir a trazer um sentimento de orgulho e superioridade.
5- Todos seres humanos foram criados com o Semblante Divino, e, por este aspecto, devemos respeitá-los.
6- Conclusão: Podemos nos relacionar politicamente e socialmente bem inclusive com pessoas que vivem de forma errônea (inclusive idólatras). Por mais que estão em uma situação espiritual terrível, de todas formas, em respeito ao Semblante Divino que carregam com elas, devemos servir de exemplo e influenciá-las para o bem, para o caminho da eternidade…. (isso não é uma aprovação de seus maus caminhos, e sim, um demonstração de amor ao Criador se preocupando com o Seu Semblante e Suas criaturas). Também, em geral, aquele que está com a constante vontade e preocupação de influenciar, não é muito influenciado. Contudo, as pessoas (ou locais) que tentam causar, ou realmente causam (mesmo que não tentam) uma influência significativa para o mal, devemos sim nos afastar o quanto necessário deles, pois, temos em primeiro lugar a obrigação de nos preocupar com nossas próprias vidas e, só depois, com a vida dos demais.
Falar com idólatras a respeito da fé monoteísta
Projeto Torah para Todos- Eleandro Bisatto
Pergunta: Falar para alguém que estou seguindo a Torá, geralmente implicará em uma grande discussão teológica girando em torno do ídolo cristão, e eu temo este combate, pois além de pouco conhecimento, minha oratória não ajuda, e temo com a derrota no debate, afastar as pessoas ainda mais da verdade.
Se possível, eu gostaria que o sr. me aconselhasse a este respeito, se devo mostrar minha cara e sair para a batalha ou passar um tempo mais oculto e imerso no ‘’treinamento’’?
Resposta: Em relação a este tema, gostaria de te transmitir um conceito muito importante; não somente em um aspecto espiritual, como também em qualquer outro assunto da vida.
Existe um processo formado por algumas fases: receber, absorver, crescer, produzir e transmitir.
“Receber, absorver e crescer” é um ciclo rotativo crescente, até chegar no estágio de produzir e transmitir; seria como uma árvore que, até produzir os frutos e “transmitir” as sementes para que cresçam novas árvores, deve receber, absorver e crescer por um determinado tempo até chegar nos outros estágios.
Uma pessoa somente deve preocupar-se em transmitir ao passar pelos estágios anteriores. Quando chegará este último estágio? Depende de cada um. Muitas pessoas se equivocam no tempo.
Pense neste exemplo: Um soldado quando sai para guerrear com uma metralhadora pode cumprir certas metas; se ele esperasse sair com um avião – com certeza as metas seriam mais significativas. Para trazer grandes benefícios, devemos antes investir em nos fortificar.
De todas formas, existem situações e conversas esporádicas – quando surge o assunto; nesses casos deve-se utilizar unicamente da lógica para demonstrar que se conectar diretamente com D’us é muito mais eficiente do que se relacionar com intermediários; assim fazia nosso Patriarca Avraham. Independente da religião ou do povo de cada um.
Utilizar de termos como: “Torá”, “Judaísmo” ou falar mal de outras religiões ou de ídolos que eles idolatram não acrescenta nada, só atrapalha. Para quem se interessar mais ao tema, pode-se utilizar os termos: “Leis de Noé transmitidas junto com o velho testamento”, “Bíblia original”, “Escrituras”, “Escrituras originais” – tudo isso é verdadeiro e evitará tocar nos sentimentos “pré-estabelecidos” das pessoas.
Lembre-se sempre deste segundo conceito que te trarei em seguida:
Não é necessário convencer ou transformar uma pessoa 100% de uma só vez. Cada conceito transmitido ou qualquer modificação para o bem é muito relevante; portanto, ao surgir uma conversa do tema, se você conseguir por lógica consertar um
Projeto Torah para Todos- Eleandro Bisatto
único ponto no pensamento de seu companheiro, o seu sucesso foi de 100% . Aos poucos a pessoa poderá receber novas oportunidade de seguir crescendo, ou com você ou através de outro meio.
Diferente de certas religiões, a Torá estimula que a vontade venha da própria pessoa; e não que seja imposto a ela. Pode-se estimular a vontade dos outros para se interessarem e procurarem – contudo, se não há receptor, a transmissão não existe. Além disso, a sua própria conduta influencia outras pessoas mesmo que involuntariamente.
Quando chegar o momento, você sozinho sentirá a confiança e a necessidade de transmitir a outros. Porém, mesmo no momento correto, a cautela é fundamental; a regra de não falar mal de outros e tampouco de algum ídolo em específico e também de não utilizar nomes que afastarão as pessoas – seguirá regendo. Deve-se demonstrar de forma geral a mediocridade em depositar a confiança em intermediários ao invés de criar um elo direto com o Criador. Nesta matéria que te enviei trouxe exemplos práticos – confira no capítulo de idolatria.
Devemos lembrar que: “Falar o correto, somente é correto, no momento correto.”
Quem sabe – se D’us te permitir – você poderá ser um ponto de luz e orientar várias pessoas como você. A sua casa poderá ser o “farol” de tua cidade!
Gostaria de complementar dois pontos referente ao relacionamento com outras pessoas:
1- Mesmo que não devemos falar mal de outros cultos ou ídolos, isto é somente para evitar aborrecimentos ou distanciar as pessoas ainda mais dos conceitos verdadeiros. Porém, em nosso coração, qualquer tipo de ídolo deve ser algo abominável.
2- As regras que escrevi na correspondência anterior (referentes ao relacionamento com outras pessoas) são regras gerais. Em determinadas situações elas podem ser adaptadas de acordo com a necessidade e benefício. Isso dependerá unicamente de seu entendimento em cada situação e de seus sentimentos. Sempre que houver dúvida, prevalece a regra geral. Lembre-se que em casos de dúvida, a melhor conduta é a conduta passiva.
Casamento
Pergunta: É correto casar com alguém que não possui a mesma fé monoteísta ou é ateu?
Projeto Torah para Todos- Eleandro Bisatto
Resposta: Simplesmente, a situação de uma pessoa que não acredita em D’us é muito ruim, devemos ter pena dela, pois, já que não acredita em D’us, não se conecta com Ele. Sendo assim, não se conecta com a eternidade.
Quem não se conecta com o Eterno não se conecta com a Eternidade, portanto, ela terminará e não terá futuro – coitada….
É claro, que para se juntar, ou seja, se casar com alguém assim é totalmente desaconselhado, talvez proibido… Pois, a vida será muito sofrida, com um grande conflito interno. Também, influencia diretamente em todas decisões do casal e dos filhos.
Um falso deus
A raiva tem mais efeito negativo no corpo e na alma que todas as
transgressões à Torá.
Segundo o Zohar, mesmo que estudemos Torá extensivamente e façamos
boas ações, perdemos todo o mérito se sucumbimos à raiva.
A raiva é como um ácido espiritual que corrói a alma.
O Zohar se refere à raiva como um “falso deus” que espanta o aspecto
sagrado da alma.
Pessoas enfurecidas perdem toda sua conexão com Hashem; sua alma se
“afasta” e forças obscuras do mal tomam o controle preenchendo o vazio
deixado pela “saída” da alma.
É preciso trabalhar duro para se conseguir escapar desse abismo espiritual.
A teshuvá só é eficaz quando acompanhada pelo aprendizado da emunah e
pela superação da raiva.
Devemos erradicar a raiva para ganhar novamente a aspecto sagrado da
alma. (Trecho do Livro Jardim da Emunah- Rav. Shalom Arush página 132)
Precisamos limpar nossas mentes de todo conceito de idolatria. Nos afastarmos de coisas que envolvem idolatria. Mudando nossos hábitos e até mesmo expressões (maneira de falar). E termos cuidado com tudo que lemos, ouvimos ou vemos, heresias acabam com nossa emunah e trazem prejuízos para nossa alma.
Que possamos firmar nossa emunah em Hashem a cada dia, pois só Ele é o criador, a fonte de tudo e o sustentador do universo. Eleandro Bisatto Revisado pelo Rabino Shimshon Bisker