Estudo sobre as Sete Leis de Noach (Noé) 1º Lei

Todos os seres humanos são descendentes diretos de Noé e dos filhos deste, os sobreviventes do Dilúvio. Ao saírem da arca, o Criador estabeleceu com Noé e seus filhos uma aliança que envolvia, de acordo com o Talmud, a observância de sete leis básicas conhecidas como Leis de Noé, obrigatórias à toda humanidade. Posteriormente, Deus separou os judeus como povo sacerdotal e guardião da Torah, e por isso mesmo sujeitos a outros mandamentos além das Sete Leis de Noé. Lembrando que os filhos de Noé foram mencionados no Talmud ou Torah Oral, Sanhedrin 56a-b e por Maimônides em Mishnê Torá, As Leis dos Reis:– capítulo 8, leis 10 e 11: capítulo 9, lei 1, capítulo 10, leis 9 e 10.; e na Torá em Genesis 9.
Além da interpretação dos versículos de Bereshit ( Gênesis), encontramos também uma série de referências específicas no Tanakh para punições dadas aos não-judeus para estes tipos de transgressões. Assim, verificamos que Kayin (Caim) é punido por matar Hevel (Abel) (Bereshit capítulo 4), Avimelech (Abimeleque) é punido por tentar se envolver em relações sexuais com Sarah (Bereshit capítulo 20), a geração do dilúvio foi punida por “hamas” – por roubar (Bereshit 6:11) – e verificamos no Sêfer Iyov (Livro de Jó 31:26-28) que a adoração de ídolos era proibida para eles.”
A primeira lei que vamos estudar é:
Avodah Zara (Serviço ou culto estranho)- uma proibição contra a adoração de ídolos, idolatria. O termo idolatria não quer dizer apenas adorar ídolos. Isso era um costume pagão antigo e existe em parte mais superficial em algumas religiões. Não praticar idolatria significa mais do que simplesmente não se dobrar diante de uma estátua, significa manter a fé e a confiança absolutas em D’us e na Divina providência.
Se comete idolatria até quando alguém tem crenças errôneas sobre D’us e acaba criando e servindo um deus estranho, D’us nos livre. Por isso é importante conhecermos D’us e sabermos como Ele é e governa todas as coisas. Entendermos e termos o conhecimento da unidade de D’us é essencial para tirarmos todo conceito de idolatria. Muitos aprendem durante sua vida ideias erradas, que foram adquiridas através de seus pais, cultura, etc, que estão impregnadas de idolatria. Por isso é importante limparmos nossa mente destes conceitos e firmamos nossa fé no D’us verdadeiro.
Adonai Echad: D’us é um (Só ele é nosso D’us; Ele sempre existiu, existe e existirá), é indivisível e é incorpóreo (conceitos físicos não se aplicam a Ele. Não há nada que se assemelhe a Ele).
O primeiro princípio da nossa fé diz: “Creio com plena Emunah que D’us é o Criador de todas as criaturas e as dirige. Só Ele fez, faz e fará tudo.” (Maimônides).
Projeto Torah para Todos- Eleandro Bisatto
Quando alguém acredita que uma força atua independente de D’us, por exemplo natureza, forças negativas, astrologia, magia, uma pessoa viva ou morta, na força do seu próprio braço ou em acontecimentos que ocorrem sem o controle absoluto do Eterno; está cometendo a proibição de fazer idolatria.
Outros acreditam na guerra espiritual. Atribuem acontecimentos a forças negativas como se D’us não pudesse controlá-las. Não existe guerra entre o bem e o mal, D’us criou tudo: tanto a força positiva quanto a negativa e Ele controla ambas, cada uma com seu propósito.
D’us está no controle de tudo sempre, ele cuida desde a comida de um inseto até cada circunstância que acontece com cada ser humano individualmente, enfim quem vive e morre. Com a nossa mente limitada não conseguiremos jamais compreender como D’us age e faz as contas do universo e da vida de cada um. Mas uma certeza temos: Ele governa tudo com justiça e bondade sempre. Salmos 145:17 “Justos são todos os caminhos do Eterno e repletos de magnanimidade todos os Seus atos”.
Ramificações:
Embora existam 7 Mandamentos de Noach básicos, é possível subdividi-los em 66 ramificações de acordo com o Rav Doutor Aaron Lichtenstein em seu livro “The Seven Laws of Noah” (“As Sete Leis de Noé”). Ele baseia essas ramificações nos 613 mandamentos para os judeus enumerados por Maimônides.
· Categoria do Mandamento da Proibição de Idolatria (10 ramificações):

  1. “Proibido pensar que exista alguma divindade à exceção de Hashem, o Uno e Único.”
  2. “Proibido fazer para si mesmo, ou mandar qualquer outra pessoa fazer, qualquer imagem de escultura (imagem esculpida) com fins de adorá-la.”
  3. “Proibido fazer ídolos para serem usados por outra pessoa.”
  4. “Proibido fazer quaisquer estátuas, mesmo que elas sejam para fins ornamentais.” ( Não se aconselha a um bnei Noach trabalhar com isso)
  5. “Proibido curvar-se a qualquer ídolo [ou jurar por ele, ou oferecer-lhe vinho ou qualquer outra coisa, ou oferecer-lhe sacrifícios, ou acender incensos para ele, ou realizar qualquer ritual religioso perante ele, mesmo que não seja a forma habitual de adorá-lo].”
  6. “Proibido a adoração de ídolos em quaisquer das suas formas habituais de adoração.”
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  7. “Proibido sacrificar os filhos, ou fazê-los passar pelo fogo, em honra a Molech (Moloque).”
  8. “Proibido a prática e consulta de ov.”
    [Ov é a adivinhação por meio de um mantra para obter um transe meditativo para se comunicar com os mortos.]
  9. “Proibido a prática e consulta de yidoni.”
    [Um yidoni envolve atos rituais e meditação como uma forma de profecia imaginária.]
  10. “Proibido recorrer a qualquer coisa idolátrica [em palavra, em pensamento, em ação ou por qualquer observância que possa nos levar à sua adoração].”
    Processo para se livrar da idolatria :
    1.Limpeza: retirada de todo conceito errado.
    Devemos nos esforçar ao máximo para limparmos nossa mente da idolatria, bem como modificar expressões e falas.
    2.Manutenção: Esforço e luta para mudança de hábitos
    Sabemos que existe um processo e que pode levar um tempo. Mas precisamos começar, insistir e nos policiar para eliminar coisas que estão impregnadas na mente e na fala por força do hábito.
    3.Fixação e preenchimento com a verdade:
    É como fazer uma formatação e instalar um novo software.
    É nosso dever estudar e praticar Torah, pois ela é comparada a água e tem o poder de nos purificar e iluminar nossa mente. O estudo da Torah diz os sábios contribui inclusive para a saúde mental. Declarar a unidade do Eterno diariamente, falando o Shemá, inclusive ensinando os filhos, também ajuda no reforço da mente e solidificação do conceito de unidade afastando a idolatria.
    Saber o conhecimento da base que é as sete leis é nosso dever e nos ajuda a solidificarmos nossa fé. Termos uma estrutura firme, nos ajudará para podermos partir para outros níveis de conhecimento da Torah, termos crescimento espiritual e sermos luz para as nações.
    Eleandro Bisatto
    Projeto Torah para Todos

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