
Muitas pessoas conhecem este mandamento e por não entender ou não estudar a fundo acabam dizendo: “eu nunca roubei… ” Será mesmo? Conhecendo e estudando este mandamento poderemos observar que ele vai muito além do que o entendimento básico que muitas pessoas tem, afinal o ato de roubar não é algo tão simples assim. Veremos a seguir alguns estudos extraídos de textos de Rabinos .
*O preceito do roubo é lógico e conhecido; por transgredí-lo a geração do dilúvio recebeu o veredito final. Inclusive se a proibição de roubar não tivesse sido ordenada pelo Criador, todos teriam que – pela própria lógica humana – não transgredi-la.
Nossos Sábios exclamaram: “Vejam a grande força da má influência causada pelo roubo – Eis que a geração do dilúvio transgrediu todos os preceitos universais – contudo, o veredito final do dilúvio foi decretado somente quando foi julgada pela transgressão do roubo” (Talmud).
Apesar das pessoas da geração do dilúvio terem se corrompido também com a prática da idolatria e imoralidade, está escrito: “…Deus disse a Noé: O fim de toda carne veio diante Mim, pois o mundo encheu-se com seus roubos, portanto Eu os destruirei junto com ele”. Deste versículo aprendemos que o veredito final do dilúvio foi decretado por causa do roubo (Gênesis 6, 13).
Por que o roubo é tão grave?
O roubo acaba com a qualidade de vida das pessoas; imaginem… Uma pessoa que lutou e se esforçou por vários e vários anos em construir um negócio, conquistando finalmente um padrão de vida mais elevado e um de seus funcionários, sem nenhum sentimento, em um golpe, termina com tudo; simplesmente pelo desejo de conquistar o que não lhe pertence.
As pessoas andam na rua com medo, não podemos caminhar em vários locais – principalmente no horário noturno… Os prédios se transformaram em grandes “gaiolas” com seguranças e sistemas de vídeo… Pessoas responsáveis em se preocupar com as necessidades de determinado público, desviam o capital designado para tal fim, para satisfazer seus próprios interesses ou simplesmente depositam em suas contas pessoais, causando fome, doenças e mortes…
Por outro lado, como seria um mundo sem roubo? Quanta tranquilidade, quanta despreocupação… Simplesmente outro nível de vida… O roubo “rouba” a privacidade e a qualidade de vida. Portanto o preceito do roubo é lógico e conhecido.
De todos modos, nossos Sábios estudaram a origem da proibição universal do roubo através de um versículo da Torah (Gênesis 9, 3) “Toda criatura viva (sendo ela propícia para alimentação) lhes será permitida por alimento como a vegetação das ervas…” – o versículo cita as ervas, pois elas crescem espontaneamente em terrenos públicos, sem o esforço do ser humano – para nos ensinar que somente elas nos foram permitidas; porém está proibido agarrar a produção de nossos semelhantes
Projeto Torah para Todos- Eleandro Bisatto
sem uma autorização prévia; portanto, o conceito do roubo encontra-se incluso neste
versículo.
Tanto o roubo de dinheiro (ou outros pertences), de ideias por exemplo, quanto o
sequestro (“roubo de pessoas”) estão proibidos. Mesmo quando se trata de uma
quantia insignificante – está totalmente proibido roubar.
Não pagar em dia o salário de um funcionário ou por um serviço prestado é
considerado roubo. Da mesma forma o pagamento pelo aluguel de um carro,
apartamento ou qualquer outro utensílio que não for efetuado no momento
previamente combinado será considerado roubo. Também uma pessoa que retém em
suas mãos qualquer quantia de dinheiro ou utensílio, após ter chegado o momento
de entregá-lo ao seu legítimo dono, estará transgredindo este preceito.
Dentro deste mandamento podemos encontrar mais ramificações.
·Categoria do Mandamento da Proibição de Roubo (16 ramificações):
- “Proibido furtar [isto é, secretamente].”
- “Proibido roubar [isto é, abertamente].”
- “Proibido usurpar.”( apossar-se de ou tomar (algo) pela força ou sem direito, tomar para
si, apropriar-se de; assumir) - “Proibido trapacear/defraudar.”
- “Proibido deixar de pagar dívidas.”
- “Proibido cobrar a mais {enganar em negócios}.”
- “Proibido cobiçar.”
- “Proibido invejar as posses de outras pessoas.”
- “Permitir a um trabalhador que coma das frutas/cereais que ele está colhendo
[mas sob certas condições].” - “Proibido um trabalhador comer das frutas/cereais que ele está colhendo
[quando ele não está autorizado].” - “Proibido um trabalhador comer mais do que o permitido das frutas/cereais que
ele está colhendo [ele não tem permissão para colher para si mesmo para levar para
casa ou para comer mais tarde].” - “Proibido sequestrar.”
- “Proibido usar falsos pesos e medidas.”
- “Proibido possuir falsos pesos e medidas.”
- “Deve-se ser exato e preciso no uso de pesos e medidas.”
- “O ladrão deve devolver [ou pagar] o objeto roubado.”
*Texto extraído do livro Guia – As Leis de Noé- Rav. Shimshon Bisker
*Ramificações: Rav Doutor Aaron Lichtenstein em seu livro “The Seven Laws of
Noah” (“As Sete Leis de Noé”). Ele baseia essas ramificações nos 613
mandamentos para os judeus enumerados pelo Rav Moisés Maimônides. Destas
ramificações, 52 são negativas e 14 são positivas.
Eleandro Bisatto